Um mês para a COP31: O que você precisa saber?

Faltando cerca de um mês para a abertura da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), as articulações internacionais e as agendas temáticas entram em sua fase decisiva. 

A COP é o principal espaço de negociação global sobre mudanças climáticas, reunindo quase 200 países para definir como compromissos internacionais se traduzem em metas, financiamento e ações concretas. Neste ano, a conferência acontece sob uma pressão adicional: a própria Organização das Nações Unidas (ONU) formalizou que a meta principal do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C não será cumprida devido ao ritmo insuficiente de redução das emissões de gases de efeito estufa por parte das grandes potências.

Por isso, a COP31 se apresenta como uma conferência de implementação, com o desafio de transformar compromissos já assumidos em resultados concretos. Mais do que novos anúncios, estará em jogo a capacidade dos países de mostrar como pretendem acelerar a ação climática em um cenário de crescente distância entre as metas globais e a trajetória atual.

Abaixo, os principais pontos para entender o cenário político, os nós das negociações e o papel do Brasil na cúpula:

1. O Básico: Onde, quando e quem comanda

  • Local e datas: A conferência ocorrerá de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia.
  • Liderança inédita: O evento será conduzido por uma copresidência conjunta entre a Turquia (país anfitrião, liderado pelo presidente-designado Murat Kurum) e a Austrália (presidente das negociações, Chris Bowen), após meses de disputas diplomáticas pela sede.
  • As discussões preliminares começaram com a Pré-COP sediada em Fiji e Tuvalu, colocando os pequenos estados insulares em desenvolvimento na linha de frente e reforçando a defesa do limite de aquecimento de 1,5 °C do Acordo de Paris.

2. O Termômetro político: O alerta da Pré-COP

  • Adesão de líderes: Embora a Pré-COP tenha reunido cerca de 4 mil participantes, apenas dois dos 14 líderes presentes vieram de fora do Pacífico (os presidentes de Timor-Leste e das Ilhas Maurício). Esse esvaziamento de chefes de Estado gerou preocupação na copresidência quanto ao engajamento político para a cúpula na Antália.
  • Urgência territorial: A visita de autoridades a Tuvalu ressaltou a pressão extrema do aumento do nível do mar, onde o país tem recorrido a obras de recuperação de terras para evitar o desaparecimento de sua ilha principal.

3. As 4 frentes centrais de negociação

Em carta oficial direcionada aos negociadores, a liderança da conferência estabeleceu que nomeará antecipadamente duplas de ministros para construir pontes de consenso em quatro pilares:

  1. Transição Justa: Definir a governança e as regras operacionais do Mecanismo de Ação de Belém (BAM) — fruto das negociações da COP30 — e determinar os rumos do programa de trabalho dos Emirados Árabes.
  2. Financiamento Climático: Facilitar o acesso real aos recursos, com ênfase na Declaração sobre Acesso a Financiamento, que cobra prioridade para nações insulares e países menos desenvolvidos.
  3. Mitigação: Destravar impasses em torno do Programa de Trabalho sobre Mitigação, aproximando as discussões de ferramentas práticas de implementação, sem ferir a soberania das metas nacionais.
  4. Adaptação: Operacionalizar a Meta Global de Adaptação (Visão Belém-Addis), criar uma força-tarefa para os Indicadores de Belém e concluir a transferência do Fundo de Adaptação para atender estritamente ao Acordo de Paris.

4. As novas propostas práticas

  • Meta “35 até 35” de Eletrificação: Uma das principais bandeiras defendidas pela Turquia é um compromisso voluntário global para alcançar 35% de eletricidade no consumo final de energia até 2035.
  • Climate Implementation Bridge: Plataforma projetada para conectar diretamente os projetos dos países a financiadores, parceiros e apoio técnico, atuando ao lado do Acelerador Global de Implementação e da Missão Belém para 1,5 °C.

5. O Brasil na Zona Azul: O que esperar do Pavilhão

O Pavilhão Brasil na Antália, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Presidência da COP30 e ApexBrasil, contará com 114 propostas selecionadas (de um total de 780 inscritas) distribuídas em dois espaços:

  • Auditório Belém (Agenda Doméstica): Apresentará as políticas brasileiras para o desmatamento zero até 2030, a demarcação de terras indígenas e quilombolas, estratégias contra o racismo ambiental em periferias urbanas, a regulamentação do mercado nacional de carbono e a descarbonização dos transportes.
  • Auditório Mutirão Global (Ação Internacional): Centrado nos Planos de Aceleração de Soluções (PAS) originados na COP30, o espaço debaterá agricultura regenerativa e redução de metano (iniciativas RAIZ, COACT e TERRA), transição de combustíveis (SAF e hidrogênio marítimo), plataformas financeiras (como Eco Invest Brasil e FX EDGE) e o lançamento do Instituto Climático de Inteligência Artificial (AICI).